segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mortes no trânsito e Lei Seca: a notícia mal contada

Está na página 24 do Diário Catarinense de sábado (20.12): "BRs de SC com menos mortes". A matéria, de página inteira, mostra números de acidentes nas estradas catarinenses, no período entre 20 de junho (início da Lei Seca) e 21 de dezembro. E, não sei com base em que, indica que a redução se deve à nova legislação.

Não se trata - aqui - de apoiar ou criticar a legislação, mas de mostrar que a nova lei pode não ser o único motivo para a redução das mortes nas estradas. A "Lei Seca" pode até não estar entre os vários motivos que produzem este índice menor de mortes nas estradas.

O que assombra é o jornal citado divulgar a versão da Polícia Rodoviária Federal como sendo a verdade sobre os fatos.

E, lendo com atenção a matéria, vê-se que não é bem assim. Basta olhar para o levantamento relacionado às rodovias estaduais: compatando 2007 com 2008, o número de mortes aumentou em 11,38%, o que é um índice bem significativo.

E aí, fica claro que, se a Lei Seca fosse a única responsável pela diminuição de mortes, ela teria estendido seus efeitos também para os motoristas que trafegam por rodovias estaduais, uma vez que a Lei Seca é federal, e vale para todos os lugares, e não apenas para as BRs.

Se o índice diminui fortemente (-23,03%) apenas nas BRs, tudo indica que o menor número de mortes pode estar relacionado muito mais com o avanço das obras de duplicação na BR-101 / Trecho Sul, do que com qualquer outra coisa. Mas afirmar isso, meu caro leitor, seria admitir que a estrada, sua má conservação, e os gestores do atraso na duplicação são responsáveis - também - pela quantidade inaceitável de mortes registradas até então. E sobre isso, creio, a Polícia Rodoviária Federal, não vai querer falar.

E, pelo jeito, o Diário Catarinense não quer perguntar.

1 comentários:

Anônimo disse...

Boa.